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Exagero no uso de smartphones pode levar à deformação na base do crânio

Dois pesquisadores de uma universidade australiana estavam analisando a estrutura óssea de jovens quando perceberam uma alteração na base do crânio dos voluntários.

“Havia uma proeminência maior do que a esperada na região, formando um alongamento semelhante a um “rabo de cavalo” ou mesmo um “chifre”, como o jornal norte-americano Washington Post anunciou ao encontrar a pesquisa.

O estudo, divulgado pela revista científica Nature, avalia que 40% dos jovens adultos, entre 18 e 30 anos, analisados tinham essa formação extra na parte de trás do crânio, próximo da nuca. O motivo? Possivelmente, e muito provavelmente, as não tão novas tecnologias.

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Além de transformarem a maneira como vivemos, o uso exagerado de tablets, celulares e smartphones também pode ter um impacto na nossa estrutura óssea. Isso porque, na maioria das vezes, ao olharmos para um smartphone ou interagirmos com um tablet, a cabeça tende a abaixar e o pescoço a se alongar na parte posterior, gerando uma pressão no local.

“Nossa hipótese é que o EEOP [enlarge external occipital protuberance, ou protuberância occipital externa aumentada, em português] esteja ligada às posturas anormais mantidas, associada ao uso extensivo e emergente de tecnologias contemporâneas seguradas pelas mãos, como smartphones e tablets”, dizem os pesquisadores na publicação, divulgada pela revista científica no início de 2018.

“Nossos resultados trazem uma preocupação com o futuro da saúde músculo-esquelética dos jovens adultos e reforça a necessidade de prevenção através de uma educação postural.” 

Uso exagerado de smartphones e tablets pode estar relacionado ao surgimento de calcificações na base do crânio de jovens (Foto: reprodução do site da Nature, revista cientifica).

Todos temos ou teremos
Por mais estranho que pareça, a proeminência vista pelos pesquisadores australianos entre os jovens existe no crânio de muita gente. Talvez não exatamente em um tamanho tão grande quando o visto no estudo, que era de 27,8 mm, mas o relevo é normal, conforme explica Rodrigo Boechat, cirurgião de coluna do hospital VITA, de Curitiba.

“Aquela proeminência já existe no crânio, na parte posterior, onde se inserem os músculos da nuca. O nome dela é ínio, trata-se de um ponto anatômico. A calcificação que apareceu no estudo é sinal de uma lesão crônica do tendão que se prende a essa proeminência”, explica o especialista.

Conforme o cirurgião, a hipótese dos pesquisadores é válida, e pode ser realmente a causa da calcificação. “Passamos hoje muito tempo do dia com aquele olhar para baixo. A curvatura normal da coluna cervical possibilita que olhemos para o horizonte. Quando ficamos naquela posição [com o olhar para baixo], gera uma sobrecarga nos músculos, que são tensionados. E isso repetidas vezes gera pequenas lesões, que fazem cicatrizes e formam uma calcificação”, explica Boechat. 
Embora seja uma situação incomum, trata-se de um sintoma da vida moderna, concorda Amylcar Dvilevicius, neurocirurgião e chefe do setor de Neurologia do hospital Angelina Caron.

“Tudo aquilo a que o corpo é solicitado de maneira inadequada ou repetitiva acaba trazendo uma consequência. É o mal do século. Às vezes, para tratar a repercussão causada por uma atividade inadequada, pode ser que seja algo apenas paliativo, que a pessoa fique com restrições para sempre”, explica o neurocirurgião.

Conforme Dvilevicius, um dos tratamentos que poderiam ser indicados a esse caso, com a calcificação na base do crânio, seria fisioterapia, medicamentos contra a dor quando necessário e eventualmente uma infiltração no local.

“Mas, se for algo extremo, talvez seja necessário um procedimento maior. Para evitar, é preciso atenção aos excessos”, reforça.

Nenhuma ligação com tecnologias
Com a repercussão do estudo a partir da publicação do jornal norte-americano Washington Post, muitas dúvidas surgiram entre leitores e mesmo entre especialistas. Uma delas é com relação ao surgimento da protuberância com o uso excessivo de smartphones ou tablets — essa foi apenas uma hipótese levantada pelos autores do estudo, mas não confirmada.

Nenhum dos jovens analisados durante a pesquisa respondeu a um questionário com relação ao uso das tecnologias, e a calcificação pode ser causada por outras ações, como uma má postura durante o sono, em pé ou mesmo sentado; durante uma pedalada de bicicleta ou mesmo dormindo com um travesseiro muito alto.

Sem “chifres”, mas com dores
Ainda que não haja nenhuma calcificação tão significativa na maioria dos pacientes, muitos de nós já passou pela famosa dor de pescoço/ dor nas costas, que também está relacionada a uma questão postural.

“Eu particularmente não vi nenhum paciente com isso [calcificação no crânio] ainda, mas tem muito paciente com queixa de dor no pescoço, na região de trás da cabeça e a gente identifica essas alterações posturais. A coluna tem que ter uma lordose normal, e vemos muitas colunas hoje sem essa curvatura, e isso provoca dor. Essa nova posição tem muito a ver com o olhar para baixo”, explica o cirurgião de coluna, Rodrigo Boechat.

Das medidas de prevenção citadas pelo especialista:

Reduza o tempo de uso. Há vários aplicativos, inclusive oferecidos pelos próprios aparelhos, que ajudam a reduzir o tempo de uso dos smartphones. Use-os e mantenha o uso apenas quando necessário.

Atenção à postura. Quando tiver de usar os smartphones ou tablets, fique atento à postura. Procure trazer o aparelho mais acima, próximo da vista, sem que você precise movimentar tanto o pescoço.

Não se esqueça dos outros aparelhos. Smartphones e tablets são os aparelhos mais lembrados, mas a mesma posição errada de pescoço pode ser obtida com o uso de laptops ou notebooks, caso a pessoa não crie uma estrutura adequada. Como eles são bastante usados para trabalho e estudo, a tendência é que o usuário passe muito tempo em frente às telas, o que pode prejudicar a postura também.

Vá para a academia. Manter uma rotina de exercícios físicos ajuda na saúde global, bem como na conscientização corporal. Alongue-se, faça uma atividade física prazerosa e reduza o sedentarismo.

Fonte: Gazeta do Povo

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